Sem saúde, educação e oportunidades iguais, não existe meritocracia.
A meritocracia
Muitas vezes, o debate sobre o capitalismo e economia em geral cai em um erro clássico: atacar os efeitos e não as causas.
É como dar um remédio para aliviar a dor sem investigar a origem real dessa dor.
É normal que existam big players no mercado.
O verdadeiro problema não é o tamanho das empresas, mas sim a ineficiência do Estado em criar um ambiente onde a meritocracia possa existir de fato.
Se o governo investisse na construção de um ambiente favorável, desde a infância até a vida adulta, teríamos condições mais justas para todos.
Isso envolve:
- Saúde de qualidade
- Educação sólida
- Cultura e lazer acessíveis
- Desenvolvimento profissional e pessoal
- Incentivos a empreendedores
- Divulgação positiva em mídias e plataformas online
Se um governo proporciona às pessoas condições em que todas fiquem em equilíbrio, a meritocracia passa a funcionar de verdade.
O problema surge quando o Estado falha em resolver desigualdades básicas logo no início da vida.
Uma criança que nasce sem acesso a boa nutrição, educação de qualidade e oportunidades culturais já começa a corrida da vida muito atrás daquela que nasce em uma família rica.
Em países desenvolvidos, há investimentos consistentes desde o nascimento: alimentação adequada, incentivos ao estudo, apoio à cultura, concessão de livros, acesso a teatros e eventos socioculturais.
Tudo isso garante que a criança, independentemente de sua origem, tenha uma base sólida para competir de forma justa.
O exemplo europeu
Na Europa, vemos claramente como incentivos e investimentos públicos geram resultados.
Não é muito comum a demonização de grandes empresas ou do sucesso alheio.
As pessoas têm acesso ao básico — que no Brasil ainda é tratado como luxo.
Trabalhadores de fábricas, que repetem os mesmos movimentos por cinco ou seis dias na semana, conseguem manter uma vida digna. Compram roupas de marca, têm acesso a carros novos, viajam com a família.
O capitalismo não é visto como vilão, porque há equilíbrio: o sistema funciona melhor quando o Estado faz sua parte.
O impacto da ineficiência do governo
Vamos a um exemplo simples:
Imagine que o preço de um carro zero quilômetro seja R$ 50 mil. Uma boa parte da população conseguiria comprar, mesmo que financiado.
Agora, se por causa de impostos e má gestão esse carro passa a custar R$ 120 mil, o que acontece?
- Para o rico, é ruim, mas ele continua comprando.
- Para o pobre, a única opção é acordar às 4 da manhã e se espremer no transporte público, como uma lata de sardinha com mais 90 pessoas.
Nesse cenário, é fácil criticar o rico que segue comprando, mas o verdadeiro culpado não é ele — é o governo, que distorceu o preço com impostos e ineficiência.
O rico só fez o que qualquer outra pessoa com dinheiro faria: comprou um veículo para se privar do sofrimento. O ser humano, em sua maioria, não deseja sofrer.
Esse mesmo raciocínio pode ser aplicado ao básico: carne, arroz, feijão.
Quem sofre quando os preços sobem? Não é o rico.
É o pobre que precisa substituir a carne por frango e o frango por ovo.
A ilusão da culpa
É irracional acreditar que grandes empresas querem manter a população pobre.
Nenhum negócio sobrevive sem clientes.
Se a população não tem dinheiro, a própria empresa deixa de ter mercado.
O que vivemos é uma espécie de “briga de adolescentes”, onde fofocas e mentiras se espalham, e todos atacam uns aos outros sem entender a verdadeira causa.
Conclusão
Quando o governo falha em criar um ambiente de prosperidade, a população se volta contra os grandes empresários, como se eles fossem os culpados pela desigualdade.
Mas a verdade é simples:
O problema não é o capitalismo, não são os big players — é a ineficiência do Estado.
E quando as condições de vida são razoáveis, muitas pessoas nem sequer sentem necessidade de empreender. Estão satisfeitas com seus trabalhos e sua qualidade de vida.
A meritocracia só pode existir se o terreno for fértil.
Gabriel Braga
Criador do Código Braga | Economista em Formação | Empreendedor | Autor de “O Dinheiro do Guaraná”
